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música: ctrl (sza)


A Solána Imani Rowe, ou SZA, tem 24 anos e nasceu em St. Louis, nos Estados Unidos. Ela tem contrato com uma gravadora pequena, a Top Dawg Entertainment, que apesar de modesta assina também: Kendrick Lamar. Apenas. Ela lançou o álbum Ctrl em junho deste ano e aqui seguem alguns comentários sobre esse álbum cinco estrelinhas douradas.

That is my greatest fear That if, if I lost control or did not have control, things would just, you know I would be… fatal...

Supermodel já diz a que SZA veio. Tudo que ela queria dizer e disse. Cada um dos versos é uma verdade nua e crua sobre sentimentos, decepções, traições e uma auto estima abaladíssima. Desde levar um pé na bunda no dia dos namorados até transar com o melhor amigo do ex. Supermodel é essa bagunça que as pessoas, em geral, são. Não é como ela queria que as coisas fossem, como deveriam ser, ou ser uma fantasia sobre o futuro. É. É o que é.


A vulnerabilidade de admitir pra você mesma seus sentimentos, de admitir o que você deseja, ou ainda, o que você deseja que tivesse sido. Essa é Love Galore, em parceria com o Travis Scott. Ela passa por um processo de se permitir sentir seja lá o que for, que admite que gostaria que as coisas tivessem sido de outra maneira, é desse lugar de olhar pra si mesma e aceitar tudo que há por dentro que a SZA parece ir se levantando ao longo do álbum. Mas não é um se levantar e "carregar tudo", carregar aquela bagagem pesada e incômoda que a gente parece acumular ao longo dos anos, é fazer com que tudo isso também seja parte de você. Que não seja um peso, mas uma parte de tudo que você é. Que teu passado possa te conduzir a lugares também. Lugares escuros e desconfortáveis, como a honestidade bruta de Doves in the Wind, a solidão de estar com alguém que não te corresponde em Garden (Say It Like Dat). E lugares de completa aceitação e paz consigo mesma. Desses segundinhos de completude em saber que muito pior já passou e o hoje está bem de Go Gina.

Drew Barrymore é como eu e todas as minhas amigas já nos sentimos. Aquelas meninas do colegial que nunca foram minhas amigas, minhas colegas de trabalho e da faculdade, minhas irmãzinhas, a barista do cafézinho do lado do trabalho, minha mãe, provavelmente. Todas as meninas já sentiram Drew Barrymore. Se meninos também já sentiram... provavelmente sim. Eu não saberia afirmar. Sobre meninas eu afirmo. A Drew Barrymore dentro de mim abraça a Drew Barrymore dentro de você e a SZA canta ela pra todas nós.



Em Broken Clocks a SZA é ninguém mais, ninguém menos que eu, você e todo mundo que tá ralando pra fazer a vida, pagar as contas, trabalhar daqui e de lá, ir em uns encontros esporadicamente, lembrar que a gente tá aqui vivo e... peraí já tô atrasada pro trabalho de novo.

Logo em seguida, em Anything, parece que a SZA acabou de chegar em casa de um desses encontros e tá topando e se permitindo o sentimento de "vamos ver no que dá", mas ao mesmo tempo fica o desejo de sentir mais, de sentir mais forte, de sentir de verdade. Será que é muito pedir pra sentir?

Sabe como é quando a gente começa a se perguntar essas coisas? Vem aquele espiral de pensamentos, né? E segue em Wavy (Interlude), a lembrança de todos os comportamentos e relacionamentos destrutivos que ela já se envolveu, a bagunça interna e a vontade de sair de tudo isso, de deixar pra trás não só o que já aconteceu, como de deixar pra trás também a assombração que é carregar a memória de não ter cuidado melhor de si mesma. Em Normal Girl, o desejo de que fazer tudo isso fosse fácil. O desejo que consome de ser apenas normal, de não ter esses pensamentos obscuros, de não sentir a pressão de consertar as coisas. E a si mesma.


Aquela SZA do início, que pedia pro cara não ir embora, que chorava pelos cantos pelo que já não é mais... A auto-depreciação e a falta de compaixão consigo mesma agora dão lugar à SZA que está vivendo dia a dia o melhor que ela pode, aceitando o melhor que ela tem pra oferecer e seguindo o caminho dos seus 20 e tantos anos, esperando que eles nunca acabem mas que também não acabem com ela, que lhe reste alguns amigos verdadeiros e esperando que ainda exista amor pra ela encontrar, em 20 Something.

And if it's an illusion, I don't want to wake up. I'm gonna hang on to it. Because the alternative is an abyss, is just a hole, a darkness, a nothingness. Who wants that? You know? So that's what I think about CTRL, and that's my story, and I'm stickin' to it...

Agora você pode ver a SZA fazendo um dueto com a Willow Smith aqui.
E também pode ver a SZA cantando com a Lorde e o Khalid aqui.











Imagens: Giphy e Sage
Mia Fernandes
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