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para mentes inquietas


Eu tenho um problema muito sério e ele se chama foco. Para que eu possa terminar qualquer tarefa, preciso eliminar todas as distrações óbvias. É claro que mesmo sem celular, televisão ou internet, minha mente sempre consegue encontrar outra coisa para me afastar das obrigações.

Você já se pegou tentando terminar um texto, revisar uma planilha, estudar para uma prova, enquanto sua cabeça está reprisando os 10 Piores Momentos da Sua Vida? É assim que me sinto constantemente. Minha mente está sempre acelerada, invocando os pensamentos mais aleatórios possíveis e não me permitindo focar em absolutamente nada.

Eu tenho uma mente inquieta e aposto que você também compartilha desse problema. Na época em que vivemos, é quase impossível encontrar um pouquinho de paz mental em meio ao bombardeio de coisas que sempre requerem nossa atenção imediata.

Essa é a parte em que eu queria te aconselhar a procurar refúgio no campo, cortar laços com qualquer tecnologia e deixar as preocupações de lado, mas quem é que pode se dar ao luxo? Esse tipo de conselho me parece uma solução temporária para um problema muito maior. Como é que fica nossa cabeça quando não podemos fugir das responsabilidades que nos cercam?

Particularmente, sempre acreditei que a melhor forma de lidar com a minha mente que nunca se cala, é me obrigar a viver no presente. Sempre que me pego remoendo picuinhas do passado ou com a mente num futuro incerto, tento trazer minha atenção de volta para o agora com alguns questionamentos simples: O que estou fazendo? O que precisa da minha atenção? 

Mas quando até mesmo minhas táticas básicas de mindfulness falham, é hora de tirar um tempo para lidar com a situação de maneira mais efetiva.

E o primeiro passo é respirar fundo.

tente sincronizar sua respiração com esse gif


O próximo passo é encontrar o ritual que melhor se adeque com sua rotina/necessidade. Por isso, resolvi separar alguns links que podem te ajudar na sua batalha diária para aquietar a mente. Olha só:

+ Apps: Você acha esse conceito de mindfulness muito genérico para o seu gosto? Precisa de uma ajudinha para colocar tudo em prática? Essa lista de aplicativos pode ser muito útil.
Não Faça Nada por 2 Minutos: Não lute contra sua mente. Deixe que ela vague livremente por dois minutos.
The Quiet Place: Se você entende o básico de inglês, esse site é essencial para quando você precisa fugir um pouco da realidade turbulenta que te cerca.
Barulho de Chuva: Já tentou se concentrar em uma tarefa e se distraiu por conta da música que estava escutando? Tente ouvir sons mais neutros, como por exemplo, o barulho da chuva.
Meditação Guiada: Tem dez minutinhos livres? Uma meditação guiada pode ser o que você precisa nesse momento.
Matriz de Eisenhower: Precisa aprender a priorizar tarefas? Tente aplicar os conceitos da Matriz de Einsehower em sua lista de afazeres.
+ Redução da Sobrecarga Sensorial: Você já se sentiu sobrecarregado pelas luzes, sons e cheiros de um ambiente? Aprenda a reduzir a sobrecarga sensorial.

Agora eu quero saber: O que você faz para aquietar a mente? Me conte nos comentários!

Imagens: Pexels e Tumblr
Mia Fernandes

as muitas faces de um trauma e kimmy schmdit


TW: Esse post contém menções de TEPT, abuso, depressão e problemas mentais em geral. Se você não se sente confortável com os temas, recomendo que evite a leitura. 

Eu tinha mais de vinte anos de idade quando ouvi o termo "TEPT" pela primeira vez. De certa forma, compreendia que eventos traumáticos poderiam ocasionar reações adversas, mas nunca fiz a conexão entre minhas próprias experiências e o Transtorno de Estresse Pós-Traumático.

E a culpa disso talvez seja a maneira que fomos condicionados a acreditar que existe um comportamento muito específico a ser desempenhado por quem sofre com problemas de saúde mental. Quando pensamos em depressão, a primeira imagem que nos vem à mente é de uma pessoa fragilizada e sem forças para levantar-se da cama. Quando pensamos em trauma, logo supomos que a pessoa se tornou incapaz de suportar qualquer aspecto da vida.

Por não discutirmos tais questões publicamente, nossos poucos "exemplos" são sempre pautados nos extremos de tais condições. Foi assim que acreditei que não havia nada de errado comigo por anos. Se eu não estava completamente debilitada e presa à minha cama, o que estava acontecendo comigo não poderia ser tão ruim, não é?

Esse pensamento de "nada pode estar realmente tão errado comigo" quase teve um desfecho bem trágico. Por sorte, eu estava cercada de outras pessoas que conseguiram reconhecer os padrões nocivos do meu comportamento e me direcionaram em busca de ajuda.

Flash forward para alguns anos no futuro: com a ajuda de terapia e acompanhamento psiquiátrico, finalmente sinto que estou compreendendo as dimensões complexas da minha saúde mental. Me tornei uma pessoa mais indulgente comigo e sinto que estou retomando o controle de diversas áreas esquecidas da minha vida.


Foi nesse cenário de cura e progresso que me deparei pela primeira vez com Unbreakable Kimmy Schmidt. Seguindo minha receita de somente consumir entretenimento leve, uma comédia comandada pela Tina Fey e estrelando a Ellie Kemper parecia ser uma aposta certeira.

Logo nos primeiros minutos, somos apresentados à Kimmy Schmidt (Kemper), uma mulher que foi sequestrada em sua adolescência e mantida contra sua vontade em um bunker. Sei que a premissa parece sombria, mas o seriado entrega tantas piadas em um curto espaço de tempo que é fácil esquecer a realidade sinistra que a protagonista viveu por anos.

No decorrer da primeira temporada, somos relembrados de maneira muito sútil das tribulações que ela passou em seus anos em cativeiro. Muitos dos lembretes ocorrem através dos sintomas comuns de TEPT: terrores noturnos, reações viscerais a acontecimentos que não apresentam perigo real, gatilhos inexplicáveis (o medo de velcro) e mecanismos de enfrentamento (contar até dez para suportar situações desagradáveis).

De repente, o seriado tornou-se real demais para mim. Não passei pelo mesmo trauma da personagem, porém, eu conseguia entendê-la muito bem. Em certo ponto da minha vida, outros me descreviam como "tão feliz que chega a ser irritante". E como pode alguém tão feliz sofrer com depressão? Como pode alguém que está sempre vendo o lado bom da vida ser uma pessoa traumatizada?



Unbreakable Kimmy Schmidt me proporcionou uma protagonista com a qual eu conseguia me identificar. Ela coexiste com a experiência terrível que vivenciou e seu amor inesgotável pela vida. Essa história é um ótimo exemplo de que problemas mentais não se manifestam em preto ou branco. Qualquer um, independente do humor atual, pode estar enfrentando uma batalha interna que desconhecemos.

Conviver com TEPT não é fácil. Mas acho que minha jornada até o diagnóstico foi tão complexa quanto é lidar diariamente com o transtorno. Por isso, acredito que é importante valorizarmos mais narrativas como a de Kimmy, É necessário falarmos mais abertamente sobre saúde mental. Talvez, assim, possamos finalmente entender melhor as dimensões de tais transtornos e aprender a celebrar toda a vida que ainda existe em nós.

Afinal de contas, Unbreakable! They alive, dammit! It's a miracle!

Imagens: Netflix/Giphy
Mia Fernandes

cuide de você


De vez em quando, eu me sinto esgotada sem ao menos ter feito nada que justificasse essa sensação. Creio que isso seja bastante recorrente no mundo que vivemos atualmente. Somos bombardeados com informação por todos os lados, notícias que parecem um prenúncio do fim dos tempos e notificações sobre cada um dos passos de seus amigos, parentes e conhecidos no mundo.
É quase impossível evitar o esgotamento quando vivemos nesse overload de coisas que exigem a nossa atenção constantemente.

Aí entra a importância do self-care. E se tem um tópico do qual este blog nunca se cansará é o mérito de cuidar de si. Por isso, vira e mexe gosto de falar sobre o assunto, reunir algumas ideias de como você pode trabalhar na sua saúde mental, mesmo que na correria e caos do dia a dia.

Então, tire pelo menos uma horinha do seu dia e tente fazer ao menos uma das atividades listadas aqui:

DESCONECTE-SE
Essa é a dica que eu tenho para quem está sempre se sentindo sufocada pelas mídias sociais. Se você é do tipo que tem dificuldade em viver no momento, pois está sempre checando o celular em busca de notificações, está mais do que na hora de dar um tempinho em sua vida online.

Não renove o seu pacote de dados. Tente limitar o número de vezes que abre o Whatsapp no dia. Procure um app que lhe force a focar em outras coisas. No final das contas, é você que sabe o que mais te afeta e o que precisa boicotar um pouco para se sentir melhor.

ENCONTRE PODER NA ARTE
Acho que essa é uma das minhas formas favoritas de self-care. Sempre que estou me sentindo com a energia baixa, é hora de tirar meus cadernos do armário e criar algo. Como alguém que sempre foi bem adepta do escapismo como forma de lidar com a vida, creio que me expressar artisticamente é a maneira mais inofensiva de fazer isso.

Escrevo fanfiction. Desenho bonecos de palito. Tento usar minhas tintas. Geralmente, o produto final não é nada que mereça ser publicado ou estar em uma galeria, mas é algo que fiz por mim.

REVISITE OS SEUS FAVORITOS
Acredito que já mencionei isso aqui, mas a minha fórmula perfeita para dias em que não estou 100% é procurar abrigo no conhecido. Não existe nada que me conforte mais do que reler a Pedra Filosofal pela milésima vez ou perceber que decorei todas as falas de um episódio de Modern Family.

Sei que nesse mundo, estamos sempre querendo consumir mais e mais, entretanto, ninguém disse que precisamos sempre consumir conteúdo novo, né?
Revisite seu livro favorito. Assista uma reprise. Repita.

CUIDE DA SUA APARÊNCIA
Eu acho que o jeito mais óbvio de cuidar de si - e o mais prático também - é cuidar do visual. Sou alguém que curte muito fazer meus rituais de beleza em casa, porém, nada se compara com poder entregar a batuta para um profissional e deixar que ele faça seus milagres.

Se "cuidar da aparência" é um item que sempre está na sua lista de self-care, eu tenho uma surpresinha para você! Sabe o Vaniday? Aquele app bacana de agendamento de serviços de beleza? Eles prepararam um desconto exclusivo para as leitoras do Conversas Imaginárias! Quer dar aquela arrumada na cabeleira? Fazer as unhas? Limpar a pele? Então, use o código VANI4CONVERSA até o dia 29/07/2017 e garanta seus 15% de desconto!


Agora é a sua vez: me conte nos comentários como você cuida de si nesse mundo caótico em que vivemos. Não vejo a hora de ler suas dicas de self-care!

Imagens: Jen Gotch e Vaniday.
Mia Fernandes

resenha: um tom mais escuro de magia - v. e. schawb


Não é sempre que leio um livro e me sinto imediatamente compelida a escrever uma resenha. Por isso, creio que nem preciso dissertar sobre como já fazia um tempinho desde que li algo tão cativante quanto Um Tom Mais Escuro de Magia.

Como a boa fã de fantasia que sou, já fui conquistada pelas primeiras linhas em que somos apresentados ao protagonista, Kell, que pode caminhar livremente por universos paralelos.

Existe a Londres Cinza, o mundo que conhecemos, em que a magia foi completamente esquecida. A Londres Vermelha, a terra de Kell e um lugar onde a magia pode ser encontrada em abundância. Também existe a Londres Branca, um mundo doente, desprovido de cor e sedento por magia. Há muito tempo atrás, também existiu outra Londres, a Londres Negra, mas seus habitantes foram consumidos pela magia e as portas para esse universo foram fechadas - aparentemente - para sempre.

Com essa premissa fascinante, somos transportados para esta obra em que a magia coexiste com reis sádicos, príncipes bissexuais, piratas, ladrões e uma grande variedade de personagens inesquecíveis.

Um Tom Mais Escuro de Magia é o início da trilogia Shades of Magic e também é o primeiro livro da V. E. Schwab que tive o prazer de ler. Após devorar cerca de 400 páginas, posso afirmar que o que mais me encantou foi a construção dos personagens e como cada um deles possui características tão distintas e que só podem ser um produto de seu meio.


Fiquei tão apaixonada pelo jeito da escritora criar que acabei ouvindo uma entrevista que ela cedeu ao podcast 88 Cups of Tea. No episódio, ela fala um pouco sobre o seu processo criativo e como costuma criar o mundo primeiro, para depois criar os personagens que o habitam. O motivo disso é simples: V. E. Schwab escreve sobre os outsiders e para adicionar mais profundidade a esses personagens, nada mais justo que pensar na sociedade em que vivem.

E é assim que ela criou figuras tão interessantes quanto Kell, o Antari órfão que vive com a realeza, mas ao mesmo tempo, sente não fazer parte da família. Ou então, Lila, a ladra da Londres Cinza que vive seus dias querendo sempre mais do que a cidade desprovida de magia pode lhe oferecer.

Como um primeiro livro, achei que Um Tom Mais Escuro de Magia entrega o que foi prometido. É claro que terminei a leitura com mais perguntas do que respostas, todavia, acredito que isso é um ponto positivo para o início de uma saga. Não vejo a hora de ler A Gathering of Shadows e revisitar as Londres ao lado dos meus personagens favoritos!

Imagens: Galera Record e Pinterest.
Mia Fernandes

feeling good: self-care e cultura pop #1


Você já parou para pensar na importância da cultura pop no seu processo de self-care? Seja como forma de escapismo ou simplesmente como uma distração saudável, não podemos negar que filmes, livros, músicas e seriados são parte essencial na hora de cuidar de si mesmo. 

Sempre tento encaixar atividades como, por exemplo, rever meu seriado favorito, em minha rotina diária. Tais momentos de lazer sempre proporcionam calmaria para a minha mente e posso afirmar que uma reprise de Um Maluco no Pedaço me energiza da mesma forma que um banho cheio de frescurinhas faria. 

Pensando nisso, resolvi que seria bacana falar um pouco mais de cultura pop que me faz bem. Então, se você está buscando umas dicas do que ouvir/ler/ver para relaxar, vem que eu te ajudo: 

+ Vamos aquecer o coração com as meninas de Sisterhood of the Traveling Pants mostrando que estão sempre disponíveis para apoiar uma às outras. Eu adoraria que certos elencos por aí seguissem o exemplo e se amassem um pouco mais!

+ Se você está procurando um seriado não problemático para assistir, confia em mim e aposte em One Day at a Time da Netflix. Essa comédia fala sobre uma família latina liderada por mulheres e aborda assuntos como imigração, sexualidade, sexismo, trauma e depressão com muita sensibilidade. 

+ Eu sou fã do trabalho da cartunista Sarah Andersen, então, foi uma grata surpresa saber que o livro dela "Ninguém Vira Adulto de Verdade" foi traduzido para o português pela Companhia das Letras. Esse é o tipo de leitura ideal para alegrar um dia cinza.

+ Para quem quer adicionar uma dose de misticismo em sua rotina de self-care, olha só essa playlist maravilhosa: Witching Hour. Ideal para quem curte acender um incenso e tirar umas cartas de tarot!

+ Quem me acompanha lá no Twitter, já deve ter me visto falar do Unxpected Musicals, uma série maravilhosa que transforma a discografia de artistas da atualidade em musicais. Nem preciso dizer que meu favorito é o Cinderswift, né?

+ Outra coisa que comecei a acompanhar recentemente, foi o webcomic "Check, Please!" sobre um time universitário de hockey. Ideal para quem está procurando uma dose de fofura + slash. 

+ Se o seu inglês está afiado, tire um tempinho para ouvir o podcast Spirits. São duas amigas bebendo seus bons drinks e discutindo mitologia. Existe premissa melhor do que essa? 

Agora eu quero saber: o que você anda lendo/ouvindo/vendo ultimamente? Qual é aquele seriado/filme/livro que sempre te faz bem? Me conte nos comentários!

Mia Fernandes